Ser-se Mar

Essa harmonia
Ser diferente em cada dia
Ser abismo
Ser profundo
Ter a cisma de ser mundo
E ser só onda afinal
Oh mar
O quanto eu daria
Para beijar por um dia
Espraiar-me no areal
Feito de conchas e lemes
De sonhos e caravelas
Das praias de Portugal
Sei-te, oh mar
Verde profundo
Espuma em fúria das ondas
Que talha doce perfume
Nas falésias
Nas arribas
Tal um perfume de frésias
Ou grito de marés vivas
Nesta praia ocidental
Quero, oh mar
Que me dês vida
Que me dês doce guarida
Nesse mel sabendo a sal
Vem, oh mar
Cobre-me de água
Lava de mim esta mágoa
Que já me tolhe os sentidos
Vem, oh mar
Faz de mim mar
Dá-me um outro navegar
Nestes caminhos perdidos
Vem, oh mar
Porque a ti venho
Neste empenho de cumprir
Destinos de Portugal
Vem, oh mar
Traz-me as areias
As quimeras e as sereias
Desta praia acidental.
Autor: Jorge Castro
04 de Abril de 2004